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Como é a gestão de conflitos nas empresas familiares

  • robsonnhs
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Nas empresas familiares, existe um elemento invisível que influencia decisões, interfere no ritmo dos processos e pode moldar os rumos dos negócios: as emoções.


Por trás de cada empreendimento, há histórias pessoais, como de pais e filhos, de sucessores que buscam espaço, de fundadores que têm dificuldade em se afastar do comando e de irmãos que compartilham, ao mesmo tempo, o sobrenome e o poder de decisões.


Lidar com esses sentimentos é um desafio tão estratégico quanto qualquer decisão empresarial. Afinal, não há planejamento sucessório eficiente quando as relações familiares estão em desequilíbrio.


As emoções na sucessão familiar

Durante a sucessão, a empresa vive um período de transição delicado. Ao contrário do que se costuma pensar, a sucessão não é apenas a troca de cargos ou a transferência do patrimônio. É um processo que inclui a mudança de ciclos, a convivência de gerações, o encontro de diferentes visões de mundo e a divergência de como fazer a gestão de pessoas e dos processos.


Nessa transição, todos os envolvidos precisam se adaptar a novos contextos. Enquanto o fundador lida com o medo de perder o controle sobre algo que construiu com as próprias mãos, o sucessor também precisa conquistar o direito de ser ouvido e respeitado.

Não são raros os casos nos quais esses desafios geram tensões, que, por vezes, escalam em conflitos. A pesquisa Global Family Business Survey (Deloitte, 2024) mostra que 64% das famílias empresárias afirmam enfrentar dificuldades emocionais durante o processo de sucessão, especialmente quando não há clareza de papéis ou quando o fundador resiste à transição.


Essas tensões raramente surgem de forma abrupta. Na verdade, elas são construídas ao longo dos anos, alimentadas por expectativas antigas, rivalidades não admitidas e a dificuldade natural que existe em separar o “eu profissional” do “eu familiar”.


Quando a família, o patrimônio e  a empresa se misturam

Nas empresas familiares, convivem três dimensões distintas: a família, a empresa e a propriedade. Em cada uma delas, os indivíduos vestem diferentes “chapéus” e assumem responsabilidades específicas. Quando esses papéis se confundem, os conflitos tendem a surgir.


É comum ver pais que, por excesso de proteção, evitam atribuir responsabilidades aos filhos; filhos que interpretam feedbacks profissionais como críticas pessoais; ou cônjuges que influenciam decisões estratégicas a partir de vínculos emocionais, e não de critérios objetivos.


Esses comportamentos não revelam falta de capacidade técnica, mas refletem dinâmicas próprias das relações familiares. Por isso, a gestão das emoções não pode ser ignorada: ela precisa ser reconhecida e tratada no âmbito da governança.


Reconhecer a presença das emoções é um passo essencial para evitar que elas passem indiretamente a conduzir o negócio.


Desafios que extrapolam a empresa

Frequentemente, sentimentos de diferentes naturezas se misturam, dificultando a percepção de onde termina um e começa o outro. Sensações de pertencimento, necessidade de reconhecimento e percepções de poder podem se sobrepor e intensificar tensões.


O que começa como uma divergência ou desalinhamento de expectativas pode, com o tempo, evoluir para distanciamento afetivo, extrapolando a empresa e afetando as relações familiares.


A sucessão envolve assuntos sensíveis que podem ser equilibrados por meio de diálogo estruturado. É uma boa prática que famílias invistam na criação de conselhos e programas de desenvolvimento para herdeiros, garantindo que o processo de liderança seja visto não como um campo de disputa, mas como um projeto coletivo.


A importância da escuta e da mediação emocional

Famílias empresárias bem-sucedidas não são aquelas que nunca têm conflitos, mas as que aprendem a dialogar mesmo diante de divergências.


Empresas que alcançaram a terceira e quarta geração, como a Gerdau — maior produtora de aço do Brasil e uma das maiores do mundo — são exemplos disso: seus processos sucessórios foram conduzidos por meio de fóruns de diálogo estruturados, mediadores externos e uma cultura de escuta ativa.


A escuta atenta e cuidadosa transforma desconfiança em colaboração e evita que conflitos se agravem silenciosa e desordenadamente.


Nas empresas familiares, criar espaços de conversa segura é essencial para garantir a continuidade do negócio, proteger o patrimônio e preservar a harmonia familiar.


Como os conflitos surgem e como preveni-los

Conflitos familiares podem se manifestar de formas diferentes, mas suas causas são recorrentes. Entre as principais estão:

  • Ausência de clareza nos papéis: quando não se sabe quem decide o quê, abre-se espaço para sobreposição e ressentimentos.

  • Comparações entre irmãos e herdeiros: rótulos e expectativas mal comunicadas alimentam rivalidades.

  • Falta de planejamento da sucessão: quando a transição acontece de forma não planejada, ela pode despertar medo e insegurança.

  • Comunicação emocionalmente reativa: discussões que começam no campo das ideias e terminam em julgamentos e ataques pessoais.

Prevenir e gerenciar esses conflitos requer estrutura e consciência emocional. Por isso, em cada processo sucessório conduzido pela UNE, nos preocupamos em incentivar  o diálogo, escuta, reflexão e construção coletiva de acordos.


A UNE e a gestão emocional das empresas familiares

A UNE Sucessão e Governança acredita que cuidar da família é também cuidar da empresa. Para isso, é preciso um olhar técnico e sensível.

Nas reuniões conduzidas pela UNE, os sentimentos são reconhecidos como parte do processo.


Não se trata apenas de resolver conflitos, mas de compreender o que cada emoção revela: medo, orgulho, necessidade de reconhecimento, desejo de pertencimento.


A partir dessa escuta, são construídos caminhos que respeitam tanto o negócio quanto os vínculos familiares, porque não existe empresa saudável em família adoecida.


Conflitos inevitáveis, rupturas opcionais

Todo conflito é uma oportunidade de crescimento. Quando bem conduzido, torna-se combustível para o alinhamento dos envolvidos; quando negligenciado, pode se transformar em ferida que atravessa gerações.


Na UNE, acreditamos que empresas familiares que reconhecem as relações humanas e tratam os aspectos emocionais em espaços apropriados têm muito mais chances de prosperar e colher os frutos desse cuidado.


Cada processo de sucessão que conduzimos é, antes de tudo, um convite ao diálogo.


UNE Sucessão: equilíbrio entre emoção, estratégia e legado

Mais do que consultoria, a UNE atua como parceira das famílias empresárias que desejam crescer com harmonia e consciência.


Com mais de 25 anos de experiência, nosso time multidisciplinar ajuda famílias a transformar tensões em acordos, rivalidades em propósito e sucessão em continuidade.


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