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Sucessão na Gestão – O caso do Colégio Vértice

Por Rogério Faé e Cinthia Kawata Habe


Walkiria Gattermayr Ribeiro, desde criança gostava de ensinar e sonhava em construir a sua própria escola.

A educação está no seu DNA. Há mais de 40 anos, fundou a Escola Curumim, no bairro do Campo Belo em São Paulo, logo após perceber que as escolas disponíveis na época não satisfaziam suas expectativas para a formação de suas próprias filhas.


Com pouco dinheiro e muito trabalho, iniciou as atividades de pré-escola numa simpática casa do bairro, que tinha um pomar muito charmoso no quintal. Era como Walkiria sonhava. Ano após ano, diante dos excelentes resultados e da satisfação dos pais e alunos, a escola foi crescendo, adquirindo casas e terrenos, ampliando sua atuação para o primário, ginásio e colegial – hoje chamados de Fundamental I, II e Ensino Médio – tornando-se o que hoje é conhecido como Colégio Vértice.

“Eu queria fazer uma escola para o Brasil. Uma escola que abrisse oportunidades em todo o mundo para os seus alunos. Queria que os alunos saíssem da escola com um olhar crítico, sabendo se comportar em qualquer lugar e que não temessem nenhum desafio. E o Vértice hoje se destaca por isso.” Walkiria G. Ribeiro

Walkiria costuma dizer que todo pedagogo precisa ser futurólogo, pois é preciso formar crianças que serão cidadãos daqui a 12 anos. E foi com esse olhar permanente para o futuro que a fundadora percebeu que precisava tratar do tema sucessão em sua família. Ela tinha consciência que a escola era a concretização de seu sonho, mas não necessariamente de suas filhas Patrícia e Adriana. Educou-as para que tivessem liberdade de fazer suas próprias escolhas. Caso elas não se interessassem pelo Vértice, Walkiria afirmava que estava preparada para aceitar.


Patrícia, a primeira filha, foi aluna do Vértice e lembra-se que viveu intensamente a concretização do sonho da mãe ao fundar a escola. Cursou Administração na FGV, estudou marketing nos Estados Unidos, trabalhou na Kodak e construiu carreira sólida como executiva na Unilever. Por volta dos 40 anos, já acumulava muitas conquistas profissionais, mas sentia que precisava de uma mudança em busca de maior realização pessoal.


Walkiria notou o momento de reflexão da filha e, com muita perspicácia, propôs que Patrícia passasse uma semana trabalhando no Vértice para o conhecer o dia a dia de perto. “Quem sabe ela se interessa...” - pensou Walkiria.

Patrícia conta que já no segundo dia estava de cabeça feita, decidida a trabalhar no Vértice. Conta também que, conforme as semanas foram passando, percebeu de perto a necessidade de planejar como seria a sucessão da escola. Sua mãe, professores, coordenadores e colaboradores, todos desejavam assegurar a continuidade da escola. As primeiras contribuições de Patrícia foram nas áreas empresariais, administrativas e de marketing. Sua bagagem profissional anterior foi de fundamental importância para que o colégio desse um salto evolutivo nos aspectos de organização e gestão. Na área pedagógica, a excelência já estava instalada. Há mais de 10 anos, o Colégio Vértice destaca-se nas primeiras colocações do ENEM. E, mesmo com toda a sua experiência empresarial, Patrícia se colocou como aprendiz, com bastante humildade, respeito e inteligência emocional. Soube ser uma observadora atenta, aprendendo muito com a mãe e com a equipe de educadores.


Ao longo de sua nova trajetória, Patrícia contratou diversas empresas especializadas para apoiar a modernização e crescimento do colégio. Dentre elas, a UNE Sucessão e Governança foi a escolhida para cuidar do planejamento sucessório. Os profissionais da UNE compreenderam perfeitamente a cultura, os valores, as crenças e os fundamentos da família proprietária e da escola. Com base nisso, foi desenvolvido o Planejamento da Sucessão do Vértice. Foram estruturadas as sucessões na gestão e na sociedade, desenvolvido um acordo de sócios, implementada uma estrutura de governança e a reorganização societária e patrimonial da família. Todo o planejamento foi construído e discutido junto aos quatro familiares, os pais Walkiria e Denis e as filhas Patrícia e Adriana, provocando reflexões, debates e consenso, como deve ser.


Patrícia teve alguns aprendizados importantes ao longo desse processo, e que dividiu num encontro organizado pela Une, o Falando em Sucessão...: Trabalho em Família – conflitos e soluções:

- Em primeiro lugar, nunca duvide de seu potencial.
- Mas não exagere… não pense "eu já sei como faz", respeite o tempo que as mudanças precisam.
- Ouça e pergunte aos demais, perceba o que está acontecendo ao redor, essa troca vai te ajudar a conquistar a confiança de todos aos poucos.
- E, só vá trabalhar na empresa da sua família se você também ama aquele negócio. É o amor pelo negócio e entre as gerações que faz tudo funcionar.

E assim, a Família Gattermayr Ribeiro segue firme na missão de perpetuar o Colégio Vértice por muitas e muitas gerações. A equipe UNE tornou-se admiradora incondicional da escola e da família, que nos confiou o desafio de cuidar da continuidade desse precioso legado para educação no Brasil.